Crise aumenta depressões entre gestores |
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![]() in Diário Económico |
Quando João, chamemos-lhe assim, foi ao reumatologista queixando-se de dores nas costa, depois de uma gripe, o médido pouco ou nada podia fazer. O que o João, um gestor português, tinha não era uma simples hérnia. O problema era bem mais complicado: "O que se passava era uma situação de 'stress' agravado", conta ao Diário Económico o director clínico da Clinipinel. Carlos Amaral Dias não entra em pormenores, "até porque o gestor é muito conhecido", mas confirma que, em tempos de crise económica, o número de depressões aumenta entre os gestores. Até aqui, nada de novo, mas quando Amaral Dias começa a explicar os sintomas que identificam uma depressão podem ser coisas tão simples como dores nas costa, irritabilidade, insónias, alterações no desejo sexual, lentificação na execução de tarefas simples, cansaço frequente ou perda constante de concentração, aí talvez o caso mude de figura. Um estudo feito pela Universidade do Rio de Janeiro mostra, por exemplo, que dos gestores a quem foi diagnosticada uma depressão, 12% tinham problemas gástricos e 26% tinham fortes enxaquecas - sintomas que não se associam a esta doença. "A primeira alteração é uma perturbação no ritmo do sono, que é um indicador fundamental" de que algo vai mal. O psicanalista explica que muitos dos gestores têm "um perfeccionismo que não admite falhas" e, quando confrontados com o facto de terem de despedir ou de não conseguirem manter os resultados das empresas, muitas vezes ficam deprimidos sem sequer saberem. " Há aspectos emocionais que a pessoa normalmente não associa a estados de depressão, mas se somar sintomas, percebe que algo não está bem", diz o psicólogo. Como podem, então, os gestores reconhecer os sintomas? "Casa caso é um caso", responde ao Diário Económico, salientando que o auto-conhecimento é um dos instrumentos essenciais que muitas vezes só é alcançado "com ajuda profissional e com medicamentos". Em Portugal, os números falam por si: nos últimos três anos, o número de embalagens de anti-depressivos vendidas nas farmácias passou de 5,9 milhões para quase 6,4 milhões. No mesmo período, os portugueses também gastaram mais: de 158 milhões em 2006, passaram para os 172 milhões de euros, no ano passado, de acordo com os dados do Infarmed. A doença, conclui Carlos Amaral Dias, não é uma moda, é um problema sério. A Organização Mundial de Saúde, aliás, estima que dentro de dez anos esta seja a segunda causa de morte, logo a seguir às doenças cardíacas. |
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