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As questões que se seguem são habitualmente colocadas por pessoas que embora não tenham um conhecimento técnico aprofundado, demonstram um interesse genérico sobre o tema.
Na elaboração das respostas breves e simples, contámos com a preciosa colaboração do Dr. David E. Zimerman, psiquiatra e psicanalista, consultor internacional da Clinipinel.
Caso as respostas que encontre não sejam totalmente esclarecedoras, poderá remeter a sua questão à direcção da clínica, que fará os possíveis por lhe dar uma resposta breve e complementar (clinipinel@mail.telepac.pt)
Questões Frequentes
O que é Psicanálise?
Psicanálise é uma terapia baseada na observação dos processos não conscientes que impulsionam os comportamentos e vida emocional das pessoas. Estes factores inconscientes podem causar sofrimento e descontentamento, por vezes manifestos por sintomas muito diversificados: tristeza e desânimo profundo, dificuldades relacionais no plano amoroso, familiar e também profissional.
Uma vez que as causas são inconscientes, o conselho amigo ou familiar, a pesquisa pessoal de mais informação, embora úteis, acabam por não alcançar, frequentemente, resultados satisfatórios.
O tratamento psicanalítico explora e clarifica como estes factores inconscientes afectam os padrões de comportamentos do presente e os relacionamentos actuais: uma análise aprofundada da história pessoal, permite esclarecer aspectos originários, como se desenvolveram e transformaram no tempo, auxiliando o sujeito a lidar melhor com a realidade presente da sua vida pessoal.
O tratamento psicanalítico poderá ajudar-me?
Uma vez que a Psicanálise é um tratamento altamente personalizado, será sempre aconselhável consultar um experiente psicanalista que o(a) possa esclarecer.
Quem mais pode beneficiar com uma Psicanálise é alguém que sente alguma insatisfação e deseja compreender-se melhor. Pode já ter alcançado importantes satisfações na sua vida, mas no entanto encontra-se perante alguns sintomas persistentes: depressão ou estados de ansiedade elevada, dificuldades no plano da sexualidade, ou até mesmo sintomas físicos que não se encontrem justificados plenamente por causas médicas comprovadas.
Muitas pessoas procuram a psicanálise por causa de repetidos “falhanços” no campo relacional ou profissional; outras porque se sentem auto-limitadas nas suas escolhas e prazeres.
As razões podem ser extraordinariamente diversas, dependentes do contexto evolutivo do sujeito, pelo que somente após uma avaliação criteriosa realizada por um experiente psicanalista deverá tomar a decisão que melhor se adequa a si.
A Psicanálise é aconselhável para crianças?
Alguns psicanalistas são especialisados em psicanálise de crianças. Embora partilhem um mesmo corpo teórico da compreensão da vida psíquica, dominam uma série de técnicas específicas para a abordagem psicoterapêutica com crianças. No decorrer deste seguimento, os pais são habitualmente consultados no sentido de obter uma informação mais vasta da vida da criança.
O objectivo principal é a remoção de sintomas ou de processos bloqueadores que interferem com o desenvolvimento normal da criança.
Quais as implicações do tratamento psicanalítico?
A Psicanálise é um trabalho elaborado com um profundo envolvimento dos dois intervenientes: psicanalista e paciente, no decurso do qual o paciente vai tomando consciência intelectual e emocionalmente das suas dificuldades, conflitos e padrões de organização. Usualmente deverá ocorrer uma frequência de consultas regular de várias vezes por semana, em que o paciente é convidado a deitar-se no divã e a estar atento aos seus pensamentos. No decorrer do tratamento, os processos inconscientes inerentes ao funcionamento psíquico vão surgindo, havendo então oportunidade de serem elucidados e transformados. Paciente e psicanalista trabalham juntos com um mesmo fim: não apenas o de alterar os padrões de vida do sujeito e reduzir ou anular os sintomas incapacitantes, mas também o de expandir a sua liberdade de escolha reflectida no campo emocional, familiar e profissional. Habitualmente, a vida do paciente – o seu comportamento, relações e sentido de si – altera-se em múltiplas formas.
Que qualificações e experiência terá o meu Psicanalista?
É recomendável que realise um trabalho desta natureza com um psicanalista treinado pelo padrões internacionais exigido pela International Psychoanalitical Assocation (http://www.ipa.org.uk/), que em Portugal é representada pela Sociedade Portuguesa de Psicanálise (http://www.sppsicanalise.pt/). Desta forma tem garantido o atendimento por um Psicanalista devidamente qualificado. O seu Psicanalista será igualmente um profissional de uma outra disciplina (normalmente Psicologia ou Medicina), comprometido a respeitar um código de ética profissional.
Quais são as diferenças entre Psicanalista, Psiquiatra, Psicoterapeuta e Psicólogo?
Convém discriminar separadamente a função específica de cada um deles.
Psicólogo: é um profissional formado por uma Faculdade de Psicologia (curso de duração, em média, de 5 anos) que o habilita a exercer: 1. Psicoterapia, nas suas diversas modalidades; 2. Psicologia Organizacional (em empresas); 3. aplicação de psicotestes, como um recurso de finalidades de diagnóstico e selecção de pessoal; 4. Psicologia Educacional (nas escolas); 5. exercício de Psicanálise Clínica (desde que complemente a sua formação básica de Psicólogo como uma nova, exaustiva e específica formação psicanalítica, numa instituição reconhecida). Pelo facto de não ser médico, o Psicólogo não pode prescrever qualquer tipo de medicação.
Existe uma crença bastante corrente de que o Psicólogo Psicanalista será sempre ineficiente ou limitado, pelo facto de não ser médico e, assim, não poder acompanhar muitos aspectos do paciente, especialmente aqueles que dizem respeito a causas orgânicas de transtornos mentais ou as repercursões no organismo dos conflitos psíquicos. Isso não é verdade. Os Psicólogos, com uma formação psicanalítica adequada, são excelente analistas e conseguem detectar o envolvimento de factores orgânicos, de modo a encaminhar de forma apropriada o seu paciente para um médico que avalie e trate alguma doença física, ou encaminhar para um psiquiatra, que o poderá medicar com psicofármacos.
Psiquiatra: um médico pode candidatar-se a fazer uma formação psiquiátrica numa instituição reconhecida, onde fará um árduo curso de especialização, que tem duração média de quatro anos. Uma vez aprovado, estará em condições de exercer psicoterapia e tratar “pacientes psiquiátricos” (como psicóticos hospitalizados, depressões graves, crises de pânico, toxicodependentes, etc.) com medicação psicotrópica. Caso o psiquiatra queira tornar-se também psicanalista, deverá complementar a sua formação com uma completa formação psicanalítica. Assim, na actualidade, um grande número de psiquiatras exerce uma “psiquiatria dinâmica”, mais voltada para tratar das dinâmicas dos transtornos psíquicos, enquanto outro número expressivo, em escala crescente de adeptos, dedica-se prioritariamente à chamada “psiquiatria biológica”, com o respectivo emprego da moderna psicofarmacologia e com um apoio nos conhecimentos trazidos pelas neurociências.
Psicanalista: tanto um psiquiatra como um psicólogo que desejam tornar-se psicanalistas deverão procurar uma sociedade psicanalítica filiada numa entidade internacional mater (IPA), subsmeter-se a uma selecção rigorosa e, na condição de candidato, a uma “análise didáctica” (duração média de sete anos), concomitantemente com seminários teórico-técnicos, supervisões individuais e colectivas, apresentação de monografias, comparecimento a reuniões clínicas semanais, participação em jornadas e congressos, etc. Para obtenção da condição de psicanalista, no mínimo é necessário que o candidato submeta, no Instituto de Psicanálise, perante uma assembleia, a apresentação de um trabalho clínico, com vista a passar da condição de “candidato” à de “membro aderente”. Daí, se assim o desejar, poderá ascender à condição de “membro titular” se tiver a aprovação de um trabalho psicanalítico de sua livre escolha. Posteriormente, poderá obter a condição de “membro titular didacta”, em que estará apto e legitimado a leccionar, analisar e supervisionar outros candidatos em formação psicanalítica. Um psicanalista está habilitado a exercer a psicanálise clínica, com o uso do divã para os seus analisandos, com um maior número de sessões semanais, tendo em vista o propósito de um acesso às regiões profundas do inconsciente que determinam os nossos traços de carácter, conflitos, sintomas, inibições, angústias e transtornos de psicopatologia.
Psicoterapeuta: é uma denominação mais genérica que designa a condição de um técnico especializado – psicólogo, psiquiatra ou psicanalista – exercer uma função de tratar um paciente com alguma psicoterapia fundamentada em princípios variados, conforme determinadas correntes que mereçam idoneidade.
Quais são as diferenças entre a Psicanálise e as Psicoterapias?
Até há pouco tempo esta crença era bastante divulgada, principalmente por parte dos próprios psicanalistas. Na actualidade, esta afirmação pode ser considerada um mito. Pela importância desta questão, justifica-se fazer uma distinção entre Psicanálise, Psicoterapia Analítica e Terapia Analítica. Inicialmente, podemos introduzir uma metáfora: assim como existem os extremos da claridade do dia e da escuridão da noite, existem também os estados intermédios da aurora e do crepúsculo. De forma análoga, pode dizer-se, esquematicamente, que a Psicoterapia tem uma finalidade mais restrita, como resolver crises vitais e acidentais; remover sintomas agudos de quadros de transtornos mentais, como angústia, fobia, paranóia, etc., propocionar uma melhor adaptação na família, sociedade e trabalho; dar apoio com vista a enfrentar melhor de situações difíceis. O tempo de duração de uma Psicoterapia pode ser breve (por exemplo, a “focal”, que visa a resolução de um foco específico de sofrimento) ou longa, que perdura enquanto estiverem, de facto, a processar-se melhoras na qualidade de vida.
Já um tratamento Psicanalítico visa um maior aprofundamento, isto é, vai além dos inequívocos benefícios terapêuticos acima mencionados, sendo que o maior objectivo de uma análise é conseguir mudanças da estrutura interior do psiquismo.Tem por objectivo, portanto, realizar verdadeiras e permanentes mudanças de carácter, de forma a melhorar a qualidade de vida de uma pessoa que seja, por exemplo, exageradamente obsessiva, ou histérica, fóbica, depressiva, paranoide, psicossomática, etc. Isto na hipótese de esta caracterologia, embora sem sintomas manifestos, possa estar de alguma forma a prejudicar a si próprio e/ou aos demais, com sensíveis prejuízos e inibições nas capacidades afectivas, intelectuais, comunicacionais, criativas e de lazer. Um tratamento psicanalítico habitualmente é processado com quatro (ou três) sessões semanais, normalmente (mas não obrigatoriamente) com o paciente deitado no divã, e tem uma duração de vários anos.
O termo Terapia Analítica (ou Psicoterapia de Orientação Psicanalítica) designa o tratamento em que há uma certa sobreposição de Psicoterapia e Psicanálise e cujo denominador comum consiste na utilização do “método analítico” que, fundamentalmente, consiste num conjunto de conhecimentos teóricos e procedimentos técnicos que possibilitam um acesso ao inconsciente do paciente.
Voltando à metáfora do dia e noite, recorda-se que os autores e professores estabeleciam um enorme abismo entre Psicoterapia e Psicanálise. Na actualidade, entretanto, as zonas de aurora e crepúsculo servem de analogia para o significado de que passou a existir uma redução de diferenças, e uma sobreposição entre ambas está a expandir-se de forma significativa.
A Psicanálise cria uma dependência dos pacientes em relação ao analista e, assim, produz pessoas dependentes, com prejuízo na capacidade de tomar decisões?
Esta é uma crença bastante difundida, porém equivocada. Inicialmente é necessário dizer que todo o ser humano, por definição, tem algum grau de dependência, e todos nós conservamos ainda no interior do nosso psiquismo parte do bebé, da criança e do adolescente dependentes, que em certa época já fomos. O surgir da dependência do paciente em relação ao analista é um sentimento natural e sadio, visto que isso reproduz uma antiga necessidade de o paciente reviver os seus antigos sentimentos de dependência que tinha em relação aos pais e que nem sempre foram satisfatoriamente resolvidos. Se partirmos da concepção de que o importante é estabelecer a diferença que existe entre uma “dependência boa” e uma “dependência má” (muito presente naquelas pessoas que, quando crianças, não confiavam na protecção e no amor dos pais, ou para conseguir qualquer coisa tinham de se humilhar, fazer promessas, juras de bom comportamento, etc.), podemos depreender que, pelo fenómeno da transferência, esse tipo de dependência (boa ou má, adequada ou excessiva) se repetirá com o analista. Portanto, a análise não produz pessoas dependentes, pelo contrário, ela tem por objectivo reduzir a vigência da dependência má e tranformá-la em boa.
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